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    Pedro Leal

    Técnico Apícola

     UE proíbe pesticidas prejudiciais às abelhas

       Desde há bastante tempo que se discute o desaparecimento das abelhas, que se tem verificado a nível global, e muitas são as teorias sobre o que estará na origem deste fenómeno. Parece haver o consenso na comunidade científica que este fenómeno é o resultado não de um factor mas sim de um conjunto de factores que levam ao enfraquecimento e colapso das colónias ou simplesmente ao seu desaparecimento. Entre as diversas causas possíveis, existem estudos que sugerem que alguns pesticidas da família dos neonicotinóides, derivados da molécula de nicotina, uma vez absorvidos pelas abelhas através da sua alimentação (néctar e pólen), resultam na produção de menos rainhas e prejudicam a capacidade de orientação das abelhas. Esta poderá ser uma das causas do "desaparecimento" das abelhas, que se tem verificado nos Estados Unidos e em vários países europeus, incluindo Portugal.

       Diversas organizações desenvolveram acções de protesto contra as multinacionais Bayer e Syngenta, as principais fabricantes desses químicos, pressionando a União Europeia a votar a proibição da sua utilização na agricultura. Após o falhanço da primeira votação, decorreu no passado mês de Abril, em Bruxelas, uma nova votação da proposta da Comissão Europeia que previa a suspensão, por dois anos a partir de Dezembro, do uso de três pesticidas neonicotinóides, amplamente aplicados na agricultura. Os pesticidas em causa, são o tioametoxam, o imidacloprid e o clotianidin e representam problemas para as abelhas em culturas como colza, girassol, milho e cereais, segundo o relatório da Agência Europeia de Segurança Alimentar. Como resultado dessa votação 15 Estados-membros votaram a favor da proibição, oito países votaram contra - incluindo Portugal - e quatro abstiveram-se. Apesar da proposta não ter conseguido o acordo da maioria dos países da União Europeia a Comissão Europeia decidiu impor a proibição dos pesticidas suspeitos de estarem a dizimar populações de abelhas, banindo o seu uso, excepto em culturas que não atraiam abelhas. Há algumas excepções também para estufas e para a aplicação dos produtos em culturas "problemáticas", mas apenas depois da floração, estando nestas situações estes produtos disponíveis apenas para profissionais.

     

       Portugal votou contra, alegando que é necessária outra metodologia para avaliar estes riscos, como se pode ler na resposta transcrita abaixo, que foi enviada pelo gabinete de imprensa do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território:

       "É nosso entendimento que deve ser dada continuidade aos trabalhos já em curso com vista à consolidação dos princípios e orientações técnicas de avaliação do risco e tomada de decisão relativa aos efeitos dos produtos fitofarmacêuticos em abelhas e, ainda a revisão científica dos protocolos de ensaio de toxicidade de produtos fitofarmacêuticos sobre abelhas, incluindo outros polinizadores, de modo a melhor aferir dos efeitos tóxicos agudos, e subletais destes produtos e dos seus resíduos"

       Fica assim de novo patente a pouca importância atribuída à apicultura pelos nossos governantes, e o total desinteresse pelas graves implicações que o desaparecimento das abelhas acarretam, prevalecendo mais uma vez os grandes interesses económicos, e ignorando-se o óbvio - se deixarem de haver abelhas deixará de haver agricultura. Apesar disso, esta proibição é uma boa notícia para os apicultores e para a apicultura, tendo sido dado mais um passo no sentido da protecção das nossas abelhas, e do nosso futuro.


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